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Atualizando um Galaxy velho para o Android 16

Na metade desse ano de 2026, troquei o meu bom e velho Samsung Galaxy M31, que comprei em 2020, por um Xiaomi Poco X8 Pro. Ele ficou parado na gaveta enquanto eu ficava pensando em algo para fazer com ele. O celular estava parado no tempo, preso no Android 12 há pelo menos uns 3 anos e já sem qualquer suporte de atualizações de segurança pela Samsung.

Eu já conhecia o projeto crDroid através de um amigo do trabalho. O crDroid é uma custom ROM open-source do Android que é baseada no Lineage OS e é mantida pela comunidade. Essa ROM é altamente personalizável e livre de bloatwares da Google ou da fabricante, que costumam deixar o celular lento.

Recentemente eu havia feito root nesse meu mesmo celular e estávamos discutindo sobre as dificuldades que isso gera, por conta dos bloqueios de apps de banco e do gov.br, quando o assunto do crDroid surgiu de novo e decidi checar no site para ver se havia suporte para o meu Galaxy M31. E não é que uma nova versão havia sido lançada há pouco tempo?

Chegando em casa eu decidi testar para ver como funciona. Baixei a ROM do site oficial para o modelo do meu celular, baixei o MindTheGapps (recomendado pelo mantenedor da ROM para o Galaxy M31), um pacote que instala os aplicativos e serviços da Google em custom ROMs do Android, uma vez que a Google não dá suporte a esses sistemas.

Conectei o celular ao meu PC e utilizei o Odin, um software criado pela Samsung, para fazer a flash do modo recovery custom. Depois coloquei novamente o dispositivo em modo flash e via adb enviei a ROM do crDroid e o pacote do MindTheGapps. Em pouco tempo meu celular pulou do Android 12 para o Android 16, ganhando recursos que originalmente ele não tinha, como o desbloqueio por reconhecimento facial.

Ainda não tive tempo de testar muito a fundo, mas além do reconhecimento facial, o sistema também ganhou um novo menu nas configurações, a crDroid settings, que permite personalizar muito o Android e sua interface, desde a barra de status, onde ficam os ícones de wi-fi e bateria, até adicionar atalhos de botão e gestos especiais.

Agora estou testando aplicativos open-source que, em combinação com o Shizuku e Dhizuku, permitem novas possibilidades expondo permissões privilegiadas que normalmente o sistema Android bloqueia, como congelamento ou desativação de apps de sistema, personalização da interface sem root e automações.

Vantagens e Desvantagens do crDroid

Para quem está pensando em fazer o mesmo processo, vale colocar na balança o que se ganha e o que se perde:

Vantagens

  • Desempenho e Fluidez: O sistema fica extremamente leve, sem os engasgos da One UI antiga e sem bloatwares de fábrica rodando em segundo plano.
  • Segurança Atualizada: Atualizações com patches de segurança do Android 16 em um aparelho abandonado pela fabricante.
  • Novas Funções: Recursos nativos do Android 16 (como o suporte a desbloqueio facial direto na ROM, privacidade aprimorada e permissões granulares).
  • Customização Total: O painel crDroid Settings permite alterar absolutamente tudo na interface sem precisar de root.

Desvantagens

  • Perda Definitiva do Knox: A queima do e-Fuse desativa permanentemente recursos nativos como Samsung Pass, Pasta Segura e Samsung Pay.
  • Qualidade de Câmera Stock: O app de câmera padrão do AOSP costuma ser mais simples que o da Samsung (o que pode ser contornado instalando uma GCam).
  • Play Integrity / Apps de Banco: Sem ajustes adicionais (como módulos de ocultação), apps que exigem verificação estrita de segurança (como bancos e Gov.br) podem recusar o funcionamento.

O processo de instalação do crDroid

Para quem ficou curioso sobre os "bastidores" do que fiz, o caminho não teve mistério, mas exige um processo bem definido e com uma ordem correta:

  1. Desbloqueio do bootloader: Essa etapa é realizada no menu de opções do desenvolvedor, liberando o celular para aceitar softwares não assinados pela Samsung. Vale lembrar que fazer isso viola a garantia do produto.
  2. Flash do modo recovery customizado via Odin: basta colocar o aparelho em modo Download e enviar o arquivo recovery.img e o vbmeta.img via Odin (ou heimdall-flash no Linux). No Galaxy M31, o modo Download é acessado com o aparelho desligado, ao segurar ambos os botões de volume em seguida conectar o dispositivo via cabo ao computador.
  3. Flash da ROM do crDroid e MindTheGapps: Acessar o modo recovery (Vol. Up + botão Power com o celular conectado no PC), resetar o padrão de fábrica e via adb sideload carregar o arquivo da ROM e do MindTheGapps, um de cada vez.

Depois disso foi só reiniciar o celular, adicionar minha conta do Google, passar pelas configurações básicas do sistema e eu já estava brincando de personalizar toda a interface do meu celular.

Conclusão

Ver um intermediário de 2020 rodando a versão mais recente do Android com tanta fluidez mostra o valor da comunidade open-source. O meu celular velhinho, que estava esquecido na gaveta, virou um dispositivo perfeito para testes, desenvolvimento e uso como celular reserva.

Se você tem um aparelho encostado e suportado pelo crDroid, vale muito a pena tirar um fim de semana para experimentar!

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